RH EM PAUTA

11 de novembro de 2017

O segredo está na valorização da equipe

Artigo escrito por  * Silvano Aragão

O grande ativo das empresas atualmente é o capital intelectual, representado pelo talento, pela criatividade, pelos conhecimentos e pelas habilidades das pessoas que constituem seu corpo funcional. Desde o século passado Peter Drucker (1995) vem disseminando o tema “trabalhador do conhecimento”, e em várias empresas os gestores empregam a expressão “as pessoas são nossos maiores ativos”, sem praticar o que dizem.

O fato é que as pessoas é que são capazes de fazer produtos e serviços cada vez melhores, diferenciando a organização de seus concorrentes. Entretanto, as empresas precisam ter um ambiente propício à criatividade e à inovação, onde os colaboradores se sintam bem e motivados a produzir. Por outro lado, os empresários precisam olhar para o seu capital humano e ter a consciência de que as pessoas passam a maior parte do seu dia, ou melhor, de suas vidas, no ambiente de trabalho, e dentro dele elas caminham com os seus desejos, sonhos e as suas expectativas. Quando o mesmo é contrário a esses movimentos e coloca de lado o caráter do desenvolvimento pessoal e interpessoal, inicia-se um processo doentio, tão subjetivo e latente que executivos e colaboradores não conseguem identificá-lo com precisão. Nas empresas, são comuns frases como “aqui as pessoas não são unidas, meu chefe não me valoriza”. Esse sentimento incorpora-se na estrutura e se manifesta nas relações informais e hierárquicas, no cumprimento de normas, nas sanções, nos processos decisórios, na comunicação. Nesse sentido, as pessoas se desgastam com conflitos e erros constantes, o que acarreta o abandono de tarefas e o aumento gradativo das queixas. Então, a instituição se depara com um grande número de “culpadores” sem “culpados”.

Desde o início da crise política e econômica recentemente instalada no Brasil, a maior parte dos trabalhadores vive com medo de perder seus empregos, e essa insegurança inibe os profissionais de criar e propor melhorias dentro das organizações. O medo compromete as relações interpessoais, prejudicando o trabalho em equipe e a produtividade. As direções das empresas sabem que a vantagem competitiva está na boa gestão de pessoas, porém, o problema é que têm dificuldade de obter a motivação e o comprometimento de todos. Alinhar objetivos pessoais com os organizacionais é a grande dificuldade de qualquer gestor. Todo profissional tem vocação para entregar o seu melhor, o segredo está no verdadeiro trabalho em equipe, onde a liderança valorize o resultado de todas as áreas e vibre com elas. O sucesso começa por aí, por meio de todos. Certamente uma empresa assim será, na mente e no coração de cada um, o melhor local para se trabalhar. E sem dúvida será uma organização mais eficiente para seus clientes e o lucro e resultados serão consequência.

*Silvano Aragão é mestre em Administração, MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e graduado em Administração. Atualmente é gerente executivo de Gente e Gestão da Federação do comércio de MG e vice-presidente Financeiro da ABRH-MG, é professor universitário. Eleito em 2012 como personalidade de RH do ano, e em 2005 foi ganhador do prêmio Melhores Práticas em Gestão de Pessoas pela ABRH.