Carreira não é uma trajetória profissional e sim autogestão da vida!

30 de novembro de 2020

Carreira não é uma trajetória profissional e sim autogestão da vida!

Por Tito Borges, Gerente de Estrutura e Remuneração da Fiemg

De início agradeço a todos os colegas com quem partilhei um conceito, certo ou errado sobre carreira e contribuíram para co-criar o pensamento apresentado neste artigo.

A construção de uma narrativa de vida coerente diante das mudanças rápidas e da constante fragmentação tem sido um desafio para líderes e liderados. Organizar o futuro no caos é um exercício continuo de desenvolvimento e adaptação. 

A carreira pode ser entendida como a trajetória profissional de um indivíduo. Aqui trazemos um olhar ampliado, onde ela é construída a todo dia e durante a vida de cada um de nós. Sim, a imagem abaixo é uma tentativa de explicitar esse movimento contínuo, de subidas e descidas, fracassos e êxitos onde nós, os humanos, resignamos a vida por meio do trabalho.

Nesse momento, registramos que o eixo X, indica uma cronologia – o tempo que nos transforma na busca de maturidade e plenitude, nesse locus que se caracteriza o tempo que se esvai e o trabalho que se executa. Esclarecemos que não se trata de um tempo médio, muitos de nós podemos dar saltos na carreira – avançando ou recuando. Esse aspecto contou com a reflexão de muitos profissionais celetistas que aguardam um plano de cargos e salários (PCS) na empresa onde laboram atenda as suas expectativas e também de empreendedores. Ambos percebem o tempo de maneira diferente. Como lidar com isso?

A andragogia – esse conceito moderno que traz a maioridade como conteúdo libertador – esclarece que o adulto aprende fazendo, ou seja, com experiências e também com a interação social. A ausência de interação social desabilita o compartilhamento significativo de aprendizagem. Compartilhar acrescenta mais 20% no esforço de aprender e praticar. Os outros 10% são conteúdos formais de aprendizagem, conhecidos também como o modelo com 70-20-10.

Também, comprovado em estudos recentes, trazemos o conceito de Lifelong Learning: a aprendizagem ao longo da vida, em tradução livre. Este termo refere-se a busca contínua, voluntária e auto motivada pela busca e atualização do conhecimento em todos os aspectos da nossa vida.

Inexiste o ano Zero explicitado na imagem. Aprendemos muito. Aprendemos o tempo todo. Aprendemos múltiplos conhecimentos, de todas formas e em incontáveis situações. Até quando não temos consciência, aprendemos – conosco, com os outros, entre nós, incluímos nas nossas vidas experiências e múltiplas vivências. A formação acadêmica é apenas um ponto nesse universo de busca incessante por informação, conhecimento e sabedoria.

Assim, a Trajetória Profissional é a o desenrolar e o continuum  de nossas vidas, com todos os uploads. Ela não é uma etapa isolada. Somos seres em desenvolvimento o tempo todo em todos os lugares.

CICLO 1

Talvez a imagem possa nos iludir demonstrando que o ciclo “FAZER” não é a fase de maior aprendizado. Não é o tamanho do ciclo que demonstra a sua intensidade. O FAZER é o ciclo das surpresas, novidades – ampliadas por força de uma potência jovem de vida – anos de pura energia e vigor.

Quando ingressamos no mercado de trabalho, a coragem e a quase inabalável vontade de vencer, de chegar lá seja aonde for, permitem o sentimento de imortalidade e que podemos fazer tudo. Somos jovens e o tempo pode nos aguardar.

No entanto, vamos aprendendo a utilizar melhor este poder de transformação. Transformação do mundo. Começamos a compreender que temos limites e nem tudo é possível. Neste momento, com a mesma energia, encontramos saídas. Múltiplas. Complexas. Mas honradas saídas.

Caminhamos. Aprendemos com velocidade. Experimentamos um outro nível de assertividade em nossas escolhas ou cometemos equívocos com a mesma intensidade. Assim, alguns de nós afirmam que dessa forma nos tornamos adultos. Envelhecemos. Este avançar do e no tempo nos torna mais reflexivos, observadores, algumas vezes, afoitos. Outras vezes, nos distanciamos da cena e podemos assistir a vida com um pouco de calma. Um pouco, claro!

Sem perceber, julgamos em determinado momento que estamos preparados para mudar de ciclo.

CICLO 2

Pode parecer para muitos que a palavra Liderança (Leadership) na imagem é apenas a presença no organograma da empresa.  Empreendedores também podem avaliar esse ciclo de outra forma. Porém, o ciclo 2 é quando alcançamos a maturação no negócio que escolhemos atuar, onde há estabilidade financeira, comercial e de rentabilidade.

Nesse ciclo, muitos humanos superaram desafios, realizaram transações – que julgavam impossíveis, faliram, recomeçaram e foram exitosos. Os empreendedores sabem onde querem chegar, mesmo que nós não saibamos onde seja esse lugar, essa visão.

Nesse ciclo avançamos: consolida-se nossa formação, vivências e experiências para compartilhar. É um cliclo de responsabilidade e que precisamos exercitar com consciência. Uma liderança deve influenciar positivamente o ambiente que habita. Dando bons exemplos de escolhas virtuosas. 

Nesse texto, a Liderança é uma escolha e ser um influenciador é viver com plenitude, com o propósito de orientar, acompanhar e modelar pessoas, não apenas profissionais. Atuar na modelagem de cidadãos que possam influenciar outros pessoas, outros ambientes da mesma maneira.

Com esta atitude, os líderes também aprendem. Aprender é mais importante. Observamos que possuir uma coragem jovial ou aprimorar julgamentos que se tornam decisões assertivas, é importante. No entanto, nos prepararmos como pessoas que poderão ou podem tornar o ambiente que vivemos mais humano e sensível faz a diferença. Assim, chegamos ao Ciclo 3.

CICLO 3

No dicionário, conselho é “aviso que se oferece a alguém em relação ao que essa pessoa deve, ou não, fazer numa certa situação; recomendação” ou “grupo de pessoas que, indicadas ou eleitas, presta consultoria em variados assuntos, no âmbito público ou privado” (Houaiss, versão eletrônica).

Abordamos a trajetória de vida e neste sentido, a força jovial trazida desde do Ciclo 1, com o propósito adquirido no Ciclo 2, quando escolher ser um Conselho (Advisor) é ter a chance de transferir os seus uploads realizados ao longo dos anos. É recomendar ou não um caminho ou uma outra estrada e até mesmo sugerir que é o momento de parar.

Podemos avaliar que a responsabilidade deste ciclo seja superior aos demais. Não é. Na verdade, a responsabilidade dos ciclos é equivalente a formação, vivências e experiências. Aprende-se que a cada ciclo podemos agregar e ser agregado. Afinal, o Lifelong learning é a trajetória da autogestão que promove em sua vida uma vida.

Convidamos a você voltar ao gráfico e avaliar o que é comum a cada fase. Todos os ciclos começam do Zero! O aprendizado no sentido do conhecimento acontece a cada momento. Pense que, toda vez que considerar que sabe, perderá a oportunidade de aprender. Por isto o vetor do gráfico é ascendente.

Caso esta síntese de uma ideia onde carreira não é uma trajetória profissional e sim autogestão de sua vida faça sentido, deixamos uma reflexão, para cada momento zero.

O que o seu presente faz pelo seu futuro?

*Tito Borges

Formação em Técnico em Processamento de Dados e Administrador. Cursou a cadeira de mestrado sobre Reengenharia de Processos, é especialista em Gestão de Negócios e Gestão Criativa de Negócios. Cursa Teologia Intensiva.

Possui 23 anos de atuação em recursos humanos. Com experiências nas áreas de negociação sindical, remuneração, custo do trabalho, planejamento organizacional e business partner.

Por 2 anos integrou a diretoria da Associação do Comércio e Indústria de Sete Lagoas e é membro do Conselho Fiscal da +Previdência (plano de previdência complementar da FIEMG).