Coluna Conexão RH | Jornal O Tempo

4 de abril de 2019

Liderança precisa ser simples

(foto: reprodução – coluna Conexão RH, jornal O Tempo)

 

Querem que os colaboradores vistam a camisa da empresa, mas será que essa camisa está apertada ou grande demais?

*Por Eliane Ramos de Vasconcellos Paes

No mundo atual, será que a grande maioria das pessoas conseguiria acordar e não ter o celular para se comunicar? Voltaria a usar máquina de escrever e pager e enviar mensagens via fax? Suportaria não transmitir imediatamente aquele recado urgente, pois o outro não estaria ao alcance de um telefone fixo? E para conferir os seus recados, você checaria sua secretária eletrônica?

Deveria ser simples assim: temos a tecnologia a nosso favor e ela vai tirar cada vez mais o robô de dentro de nós. Vamos parar de fazer aquelas coisas chatas e repetitivas e usaremos a nossa capacidade criativa para resolver problemas e nos conectar com pessoas. A era digital está revolucionando as formas de viver, trabalhar e se relacionar.

“Liderar não é estar só no comando. É saber cuidar das pessoas que estão sob o seu comando”, ressalta Eliane.

A economia é criativa, as empresas são líquidas e os talentos são atraídos por propósitos. Liderança não tem mais a ver com o organograma, mas com a capacidade do líder em saber simplificar e descomplicar relações e processos. Porém, simplicidade dá trabalho, pode incomodar as pessoas que estão prontas para colocar dificuldades em tudo que queremos mudar. A simplicidade tira as pessoas da zona de conforto, notadamente aquelas que preferem dizer: “Sempre funcionou assim!”.

Um líder que sabe simplificar irá conseguir estimular nas pessoas que elas sejam a melhor versão de si mesmas, para que utilizem o seu tempo, que é o que cada um tem de mais valioso, para se dedicarem àquilo que realmente importa, fazendo com que se sintam mais felizes e produtivas.

As pessoas precisam buscar o porquê na vida pessoal e na jornada profissional, ou seja, o verdadeiro significado de se sentirem apaixonadas e motivadas a acordarem às segundas-feiras e chegarem ao trabalho, mas com qualidade de tempo para aproveitarem a família e os amigos, momento de reenergização.

São pessoas assim que todo empresário de sucesso deseja para sua empresa. Querem que os colaboradores vistam a camisa da empresa, mas será que essa camisa está apertada ou grande demais? Tudo vai depender da cadeira, do perfil que a empresa deseja, para que a pessoa certa ocupe o cargo desejado. O líder deve saber tratar cada um como se ele fosse único.

O líder vocacionado continua tendo metas ousadas e é focado em resultados, mas ele sabe como ninguém que o bem mais valioso são as pessoas. O ouro são as pessoas!

Precisamos estar conectados e das interações cara a cara, de conversas francas, para exercitarmos o que é ser empático e altruísta. Desejamos as relações simples e leves, que façam bem à nossa saúde, para fortalecermos nossos laços de amizade, confiança, lealdade e amor verdadeiro. Quando temos muito do eu e pouco do nós, nos tornamos vulneráveis e profundamente solitários.

Faça um exercício: ao encontrar na palavra o prefixo “auto”, substitua por “outro”. No lugar de autoajuda, ajuda ao outro, autoestima, estima ao outro… Como necessitamos das conexões com os outros!

Liderar não é estar só no comando. É saber cuidar das pessoas que estão sob o seu comando.

Mas, se você não se cuidar, nada acontecerá e produzirá efeito para o próximo. Para isso, você precisa também se conhecer! Conhecer os seus pontos fortes, o que você quer, o que não deseja e qual o porquê para seguir em frente. Gostar de você e estar atento à sua jornada de vida, autoconhecimento para conhecer o outro.

O mundo nunca foi tão tecnológico e jamais precisamos tanto das relações humanas simples e leves, gente que gosta de gente, que toca os nossos corações, que nos provoque emoções saudáveis para seguirmos em frente e nunca perdermos a coragem e a vontade para fazer acontecer. Com ética e muita inspiração!

*Eliane é presidente ABRH-MG. Este artigo foi originalmente publicado na coluna Conexão RH, do jornal O Tempo.