A inteligência artificial está transformando rapidamente a rotina de profissionais em diferentes setores da economia e exigindo novas competências para acompanhar as mudanças no mercado de trabalho. Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG), conselheiro de Administração e professor da Fundação Dom Cabral, David Braga, as áreas mais impactadas são aquelas baseadas em informação, repetição, atendimento, análise e produção de conteúdo, onde ferramentas de IA passaram a executar atividades que antes demandavam horas de trabalho.
“As profissões que têm sentido os impactos mais rápidos da inteligência artificial em 2026 são aquelas baseadas em informação, repetição, atendimento, análise e produção de conteúdo. Atendimento ao cliente, marketing, comunicação, vendas, recrutamento de posições iniciais, jurídico, finanças, tecnologia, educação corporativa e áreas administrativas já vivem uma mudança profunda de rotina. O trabalhador mais impactado não é necessariamente o que será eliminado, mas aquele que terá sua rotina redesenhada: menos operacional, mais analítica; menos repetitiva, mais decisória”, afirma.
Na avaliação de Braga, a inteligência artificial não representa apenas uma ameaça de substituição de empregos, mas uma transformação das atividades que compõem as profissões. Funções repetitivas e previsíveis tendem a ser automatizadas, enquanto aumenta a valorização de profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões, resolver problemas complexos e utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio.
“A inteligência artificial não está apenas eliminando postos de trabalho; ela está, sobretudo, desmontando funções como eram conhecidas. O que desaparece primeiro não é necessariamente a profissão inteira, mas o conjunto de tarefas repetitivas, previsíveis e de baixo valor agregado. O profissional do futuro próximo não será medido apenas pelo que sabe fazer sozinho, mas pela capacidade de usar tecnologia para pensar melhor, entregar mais rápido e tomar decisões mais qualificadas”.
Habilidades humanas ganham ainda mais valor
Para o presidente da ABRH-MG, o avanço da inteligência artificial aumenta a importância de competências que permanecem ligadas à capacidade humana. Pensamento crítico, criatividade, ética, comunicação, empatia e liderança tornam-se diferenciais em um cenário em que máquinas conseguem processar informações rapidamente, mas ainda dependem de pessoas para interpretar contextos e tomar decisões responsáveis.
“São justamente aquelas que a tecnologia ainda não consegue replicar com profundidade: pensamento crítico, julgamento, criatividade, empatia, ética, comunicação, colaboração e capacidade de liderança. A IA processa dados, identifica padrões e acelera entregas, mas ainda depende de pessoas capazes de fazer boas perguntas, interpretar contextos, avaliar riscos e tomar decisões responsáveis”.
Ao analisar os receios de trabalhadores diante da inteligência artificial, David Braga afirma que o principal movimento deve ser de adaptação e aprendizado contínuo. Para ele, a tecnologia precisa ser incorporada como uma ferramenta capaz de ampliar capacidades humanas, melhorar resultados e liberar tempo para atividades que exigem criatividade, relacionamento e tomada de decisão.
“O primeiro conselho é trocar o medo pela curiosidade disciplinada. Quem teme perder espaço para a IA precisa entender que a maior ameaça não é a tecnologia em si, mas a recusa em aprender uma nova forma de trabalhar. A inteligência artificial deve ser vista como uma extensão da capacidade humana, pois ela acelera pesquisas, organiza informações, antecipa cenários, melhora análises e libera tempo para aquilo que realmente diferencia um profissional”.
RH prepara gestores para uma nova relação com a IA
Na área de recursos humanos, Braga destaca que o desafio das lideranças é preparar gestores para um modelo de trabalho em que pessoas e tecnologias atuam lado a lado. Segundo ele, a adoção da inteligência artificial precisa envolver capacitação, orientação sobre o uso responsável das ferramentas e definição dos processos que ainda exigem validação humana.
“As lideranças de Capital Humano mais maduras estão entendendo que preparar gestores para a era da IA não significa apenas ensiná-los a usar ferramentas digitais, mas ajudá-los a liderar um novo modelo de trabalho, em que pessoas, dados, algoritmos, assistentes virtuais e agentes inteligentes passam a dividir espaço nas decisões, nas entregas e na produtividade diária”.