Imprensa

Como a má gestão de liderança pode comprometer o EBITDA e a rentabilidade dos negócios

Durante muito tempo, o mercado corporativo acreditou que resultado sustentável era construído apenas com estratégia, tecnologia e metas agressivas. Mas existe uma realidade que começa a aparecer de forma cada vez mais clara nos resultados das empresas: liderança ruim custa caro. Líderes emocionalmente despreparados aumentam conflitos, elevam turnover, reduzem engajamento e comprometem produtividade. Quando a gestão falha, o impacto chega diretamente ao negócio.

Talvez por isso as soft skills tenham deixado de ser competências complementares para se tornarem um ativo estratégico. Em muitos casos, já valem mais do que o conhecimento técnico isolado. Afinal, tecnologia se aprende, ferramentas mudam e processos são automatizados. A capacidade de conduzir pessoas em cenários complexos, porém, continua sendo um diferencial decisivo para sustentar performance no longo prazo.

A inteligência emocional, por exemplo, se tornou uma competência essencial para a sobrevivência das lideranças modernas. E não se trata de romantização corporativa, mas de impacto financeiro real. Líderes despreparados emocionalmente criam ambientes inseguros, desgastam relações e reduzem a capacidade dos times de performar com consistência.

Existe uma diferença importante entre alta exigência por resultado e gestão baseada em pressão constante. Ainda assim, muitas lideranças continuam associando tensão contínua à alta performance. O custo dessa confusão é alto: exaustão contínua reduz criatividade, piora a colaboração, compromete inovação e aumenta erros operacionais. Em outras palavras, ambientes emocionalmente frágeis dificilmente sustentam alta performance por muito tempo. Em muitos casos, líderes acabam normalizando dinâmicas emocionalmente insustentáveis sem entender que a alta performance não nasce da pressão constante, mas da clareza, previsibilidade e maturidade da liderança.

Uma comunicação desalinhada aumenta retrabalho, gera atrasos e amplia falhas operacionais. Ambientes pouco colaborativos reduzem velocidade de execução. Dificuldade em lidar com conflitos compromete produtividade e engajamento. Tudo isso pode e deve ser medido. É exatamente aí que o RH assume papel estratégico: quando comportamento humano é conectado a indicadores de negócio, soft skills deixam de ser discurso motivacional e passam a ser vantagem competitiva.

Organizações mais maduras têm investido fortemente no desenvolvimento de lideranças emocionalmente equilibradas. Isso acontece menos por imagem institucional e mais pela compreensão de que resultados sustentáveis dependem diretamente da qualidade das decisões humanas tomadas diariamente.

A lógica é simples: equipes emocionalmente seguras performam melhor. Líderes preparados desenvolvem talentos com mais consistência. Ambientes saudáveis inovam mais rápido. E profissionais que encontram clareza, apoio e direção permanecem por mais tempo. Soft skills são o novo EBITDA porque passaram a influenciar diretamente retenção, produtividade, eficiência operacional, velocidade de execução e crescimento sustentável.

As empresas cada vez mais serão lideradas pelos profissionais mais adaptáveis: aqueles capazes de aprender rápido, lidar com pressão sem destruir pessoas, sustentar relações inteligentes e conduzir times em cenários de incerteza. O mercado já começou a perceber isso. A pergunta é se as lideranças perceberam também.

Existe uma realidade cada vez mais difícil de esconder: líderes tecnicamente brilhantes conseguem gerar resultado no curto prazo, mas raramente sustentam crescimento saudável no longo prazo quando falham na gestão humana. No fim, o mercado pode admirar esses líderes, mas são as lideranças emocionalmente inteligentes que sustentam crescimento, inovação e resultado de forma consistente. Porque, cada vez mais, cultura, comportamento e saúde emocional também aparecem no balanço.

image 6

Karina Neves

Gerente de Recursos Humanos da Direcional Engenharia e Membro do Comitê de Middle Management da ABRH-MG

Últimas Publicações