RH EM PAUTA

11 de novembro de 2017

Artigo | Empreendedorismo corporativo

Como iniciativas e o espírito empreendedor podem ser saudáveis para sua organização? Leia artigo do sócio-diretor da House Consultoria e Gestão, Alexandre Castro, sobre o tema.

EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO:  A INOVAÇÃO DA GESTÃO DE PESSOAS

As organizações têm enfrentado um ambiente significativamente diferente nos últimos anos. Mudanças intensas, em varias áreas, trouxeram uma nova dinâmica ao mercado cada vez mais globalizado. Novas tecnologias e novos players surgem a todos os momentos, reduzindo o ciclo de vida de produtos/serviços e criando um ambiente de hipercompetição.

Além disso, o grande acesso à informação aumentou a transparência da realidade e o poder dos consumidores. As empresas encontram-se, a cada momento mais, “dentro de um aquário”. Como sugere Philip Kotler, em alguns anos, não mais existirão empresas que não sejam diferenciadas.

Essas transformações demandam mudanças profundas nos modelos tradicionais de gestão de negócios e pessoas. As organizações precisam se capacitar para enfrentar e aproveitar os novos desafios e oportunidades. Para que esse processo aconteça com a agilidade necessária, as capacidades de antecipação, adaptação e inovação passam a ser atribuições de todas as áreas e pessoas de uma instituição.

Diante desse cenário, torna-se imperativo atrair, reter e potencializar indivíduos com espírito e iniciativas empreendedoras. Ainda durante anos 80, Peter Drucker declarava que “as empresas de hoje, especialmente as grandes, simplesmente não sobreviverão nesses novos tempos de mudanças e incertezas, a não ser que adquiram competência empreendedora”.

Assim, o intraempreendedorismo deixa de ser um processo exclusivo de empresas de vanguarda. Torna-se um modelo para obtenção de vantagem competitiva e fundamental para a sobrevivência de qualquer organização.

Entretanto, esse processo não se desenvolve apenas pela imposição de mercado ou pela retórica do discurso da alta administração. Ações específicas e efetivas devem ser executadas e algumas questões passam a ter grande relevância para o sucesso do empreendedorismo corporativo.

Como as empresas podem identificar, internamente e no mercado, indivíduos com potencial empreendedor?

Como desenvolver atitudes empreendedoras e aproveitar ao máximo esse potencial dos talentos?

Qual o ambiente e as condições ideais para atrair, reter e desenvolver intraempreendedores?

Para vencer os desafios atuais, as empresas devem conhecer bem as respostas para essas questões. Para que iniciativas empreendedoras aconteçam é necessário que exista a interação entre indivíduos com atitudes empreendedoras e um ambiente organizacional favorável.

Identificar e mobilizar os talentos adequadamente é apenas o inicio desse processo. Ações para o desenvolvimento dos potenciais empreendedores é o primeiro passo. Ademais, é necessário conceder autonomia, suporte gerencial e recursos para que os intraempreendedores possam entrar em ação.

As características empreendedoras individuais podem ser mapeadas e desenvolvidas. Entretanto, para maior efetividade, o ambiente organizacional deve ser redesenhado para fortalecer a presença dos fatores que favorecem iniciativas empreendedoras.

Ao mesmo tempo, é importante remover os obstáculos, presentes principalmente nas grandes organizações, que impedem iniciativas empreendedoras e inovadoras. As nossas empresas têm investido mais na busca de novas e boas ideias. Mas, apesar desse avanço, encontram muita dificuldade na implementação. Como consequência, além de desperdiçar importantes contribuições ainda geram frustração e desmotivação. A burocracia, manifestada em um emaranhado de análises, aprovações, relatórios e políticas, aliada com uma visão de curto prazo, se transforma em grande barreira ao empreendedorismo corporativo e à inovação.

Portanto, o desafio que definirá o futuro das nossas organizações já está lançado. As empresas precisam buscar desenvolver os fatores que são imprescindíveis para se prosperar nesse atual modelo econômico. Qualquer modelo a ser adotado deverá, necessariamente, enfatizar a busca por talentos empreendedores e um ambiente organizacional favorável à inovação.