RH EM PAUTA

11 de novembro de 2017

Artigo | Empregabilidade

A professora e especialista em gestão estratégica com foco em pessoas, Marcilene Martins, questiona os famigerados perfis multifuncionais exigidos pelo mercado de trabalho e chama a atenção para os vários meandros da empregabilidade.

O atual mercado de trabalho tem nos mostrado o quão complexo esse tema tem se tornado. Existe hoje uma falta de ajuste entre empresas e candidatos em busca de um emprego, os empregadores cada vez mais exigentes, querendo cada vez mais pessoas multifuncionais, com conhecimentos variados e atuação mais abrangente. O mercado também tem se mostrado cruel com os iniciantes. A maioria das vagas abertas solicita pessoas capacitadas e com ampla experiência. Por outro lado, os profissionais têm se empenhado cada vez mais na busca dessa capacitação e também têm tido menos tolerância em relação às expectativas que não são cumpridas.

A empregabilidade, portanto, pode ser definida como a qualidade que o indivíduo possui de estar sincronizado com as exigências do mercado; a capacidade de se ajustar às mudanças tecnológicas e sociais, ou seja, a condição daquele que, apesar das mudanças no mercado de trabalho, continua apto para nele permanecer, o que, de acordo com Gentili  (1999), lhe garante uma chance maior de inserção no mercado, mas não uma certeza, simplesmente porque no mercado não há lugar para todos.

Já para Machado (1998), o conceito de empregabilidade refere-se às condições subjetivas da integração dos indivíduos à realidade atual dos mercados de trabalho. Empregabilidade significa, na prática, melhores condições de competição para sobreviver na luta por empregos, com uma oferta reduzida. Outro dificultador que o mercado nos impõe é o fato de não divulgarem abertamente as posições estratégicas, aquelas direcionadas aos profissionais sênior, com especialização e grande experiência. Essas vagas normalmente são entregues a um headhunter, empresas especializadas em recolocação ou ainda direcionadas a indicações. E assim os candidatos têm dificuldade de acesso a tais oportunidades.

Em função disso esses profissionais chegam a um momento de suas vidas que buscam autonomia, abrir o negócio próprio, se inserir em outras áreas como lecionar, por exemplo. Estamos então vivendo a “era do fim dos empregos”. Onde as pessoas buscam trabalhos, projetos, independência e mais qualidade de vida. Com o “fim dos empregos” (BRIDGES, 1994) as transformações no mundo do trabalho acarretaram também mudanças no perfil exigido do profissional que vai enfrentar o mercado, um perfil extremamente idealizado e com um leque cada vez mais amplo de competências.

Ele tem que ser um indivíduo pró-ativo, dinâmico, com iniciativa e decisão, possuidor de capacidade empreendedora, ser criativo e ter capacidade de inovação para transformar a criatividade em resultados. Além disso, tem que cuidar de sua aparência física, estar adequadamente trajado, sempre jovial, feliz e atualizado. E tudo isso, sem demonstrar cansaço, fraqueza, sem se estressar. Deverá ter, ainda, inteligência emocional e ser resiliente para suportar as crescentes pressões, intensificadas nas cobranças por resultados, sem adoecer, se irritar ou manifestar quaisquer sintomas de estresse. Além disso, tem que saber trabalhar em equipe, dominar outro idioma, ter habilidade de relacionamento interpessoal e de estabelecer e manter redes crescentes de relacionamento.

Com tudo isso o mercado vai se moldando, ficando pior cada vez mais para quem não se atualiza em sua área de conhecimento e ficando um pouco mais flexível para aqueles que têm essa preocupação constante de qualificação e aprimoramento.Sendo assim, a empregabilidade torna-se fundamental tanto para que o indivíduo se coloque no mercado de trabalho, quanto para a manutenção de seu emprego. Cabe a cada indivíduo desenvolver suas habilidades e adquirir cada vez mais conhecimentos que lhe agregue vantagem competitiva, para obter um diferencial que atraia as oportunidades de trabalho. Assim, poderá também escolher com o que quer trabalhar e onde lhe oferecem maiores vantagens, permitindo a aplicabilidade prática de seus talentos.

As empresas buscam no mercado profissionais que possam agregar valor ao seu produto ou serviço. Isso implica, conseqüentemente, em identificar indivíduos que possuam experiências e competências funcionais acumuladas, desejo de antecipar-se às mudanças e que demonstrem domínio em sentir-se responsáveis por suas ações e por sua carreira. A empregabilidade é a habilidade que cada indivíduo possui para gerenciar sua carreira profissional em um ambiente incerto e de mudanças aceleradas.E seguimos então na busca do ajuste entre oferta e demanda e na busca da satisfação ampla por parte da organização e do indivíduo em sua realização profissional.

Referências Bibliográficas 

BRIDGES, W. Um Mundo sem Empregos. (trad. de José Carlos Barbosa dos Santos). São Paulo: Makron Books, 1995. 269 p.

GENTILI, Pablo. O conceito de “Empregabilidade”. In: Seminário Nacional sobre avaliação do Planfor – uma política pública de educação profissional em debate, 1999, São Carlos. Anais… São Paulo: UNITRABALHO, 1999, 144 p. p. 85-91.

MACHADO, Lucilia. Educação Básica, Empregabilidade e competência. Trabalho e Educação, Belo Horizonte, n.3, p. 15-31, jan./jul. 1998.

*Marcilene Martins é mestranda em administração, especialista em Gestão Estratégica com foco em Gestão de Pessoas e Ensino a Distância, coordenadora do curso de Tecnologia em Gestão de RH na FABE, do grupo UNIS, e tem mais de 20 anos de atuação na área de recursos humanos.